sábado, 13 de agosto de 2011

PROJETO ESCOLA PARTICIPATIVA

SECRETARIA DO ESTADO DA BAHIA

COLÉGIO ESTADUAL PRESIDENTE EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI

Luciano de Oliveira Costa

Simone Maria Teixeira dos Santos

Projeto escola participativa

Projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia através do projeto de popularização da ciência, edital 009/2009, termo de outorga 0022/2009.

COORDENADOR: Luciano de Oliveira Costa e Simone Teixeira

Equipe técnica: Maria das Graças Nascimento Passos

Francisca Novais Rocha

Professores pesquisadores:

Simone Maria Teixeira dos Santos

Sheila B. Araújo

Salvador– BA

06/2011

RESUMO

Este Projeto prioriza o ensino de forma integradora. Emerge da necessidade do desenvolvimento intelectual do aluno e da sua participação, efetiva, na reflexão dos problemas sociais da sua comunidade, com a utilização de uma metodologia de pesquisa científica. Foi desenvolvido no Colégio Estadual Presidente Emilio Garrastazu Médici e comunidade circunvizinha, com o segundo ano do Ensino Médio. A Escola em questão possui recursos materiais e humanos que favoreceram a sua implantação. O plano de curso, da série escolhida apresentou conteúdo que permitiu a interdisciplinaridade e adequação à proposta de aproximação do aluno com a Ciência. O comitê técnico, formado pelas vice-diretoras: Maria das Graças Nascimento Passos e Francisca Novais Rocha, foi responsável pelo acompanhamento do projeto. As professoras pesquisadoras: Simone Maria Teixeira dos Santos e Sheila B. Araújo planejaram as ações e orientaram cada etapa do trabalho dos alunos na iniciação à pesquisa científica. Os resultados das pesquisas foram apresentados sob a forma de folders, elaborados pelos alunos a partir da pesquisa na comunidade sobre as necessidades de esclarecimentos a respeito da prevenção de doenças provocadas por variados vermes e microorganismos.

Palavras-chave: Projeto de pesquisa, Metodologia sócio-interacionista, Projetos pedagógicos.

SUMÁRIO

1 OBJETIVOS............................................................................................................05

2 BREVE FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.................................................................06

3 METODOLOGIA.....................................................................................................08

4 MECANISMOS DOS RESULTADOS.....................................................................10

Referências BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................12


1. OBJETIVOS

· Tornar a investigação científica um fazer possível para o aluno do Ensino Médio;

· Estimular e ajudar o aluno a criar hipóteses e investigar os seus questionamentos com informações teóricas e observações práticas, partindo do conteúdo estudado;

· Tornar o conteúdo mais contextualizado no processo de investigação científica;

· Possibilitar a reflexão e o debate sobre as doenças veiculadas por seres vivos, alimentos provenientes do reino animal, dentre outros assuntos que possam ser levantados pelos grupos e apresentação de resultados;

· Produzir um portfólio para servir como instrumento pedagógico.

· Produzir panfletos que auxilie na informação sobre prevenção de doenças e/ ou manutenção do meio ambiente.

· Produzir jornal falado para ser apresentado na escola e comunidade.

2. BREVE FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Importantes teóricos da educação como Vigotsky, Piaget, Paulo Freire, dentre outros, defendem o ensino experimental, contextualizado e, sobretudo, a metodologia de pesquisa como meio de formação e preparo do cidadão para que alcance melhores resultados; bem como as leis que norteiam todo o processo educativo do País, tais como: Leis de Diretrizes e Bases e Orientações Curriculares, que defendem a compreensão dos conceitos a partir de aulas práticas para trabalhar os conteúdos. Além de esperar que todo processo educativo seja capaz de formar cidadãos críticos e reflexivos.

Como o Projeto Escola Participativa está vinculado às questões ambientais e propõe uma prática interativa entre alunos e comunidade, o livro: “O que é educação ambiental?”, de Marcos Reigota, serviu como subsídio para elaboração, pois, trata esta questão com uma proposta de ensino através da pedagogia de projetos e de uma abordagem interdisciplinar. Ele considera a pedagogia de projetos como uma abordagem integradora.

“A Pedagogia de Projeto é um método que envolve toda escola, inclusive os pais de alunos, no estudo de um tema específico. Ele permite que cada disciplina desenvolva o tema proposto sob a sua ótica e especificidade. Os pais participam, contribuindo com a sua experiência e conhecimento sobre o tema. Os alunos se empenham em explorar particularidades que lhes interessam num mesmo ano letivo. A escola pode desenvolver um tema geral, com vários subtemas, ligando-os ao conhecimento científico e ao cotidiano.” REIGOTA (2001:41).

No seu livro: “Meio ambiente e representação social”, ele faz um amplo estudo do significado do Meio Ambiente sob o ponto de vista de especialistas de diversas áreas e demonstra que é um tema que abrange muitos significados e diferem segundo as representações sociais. Considera, portanto, a pedagogia de projetos como uma metodologia muito apropriada para desenvolver um trabalho sobre meio ambiente nas escolas do Ensino Médio de forma interdisciplinar, e principalmente por suscitar debates acerca dos problemas ambientais e tornar possível a reflexão e a participação dos cidadãos. Como cita no trecho abaixo:

“Parto do princípio que a educação ambiental é uma proposta que altera profundamente a educação como a conhecemos, não sendo necessariamente uma prática pedagógica voltada para a transmissão dos conhecimentos sobre ecologia. Trata-se de uma educação que visa não só a utilização racional dos recursos naturais (para ficar só nesse exemplo), mas basicamente a participação dos cidadãos nas discussões e decisões sobre a questão ambiental.” REIGOTA (2002, P.10).

Também, os estudiosos: Antonio Carlos Gil e Georg Henning/Nelson C. Monte, contribuíram com os trabalhos minuciosos de como elaborar projetos de pesquisa, com uma linguagem acessível para os alunos do Ensino Médio e Fundamental. Estes livros serviram como modelo na elaboração das pesquisas científicas.

A estudiosa, Maria Cecília M. Carvalho no seu livro “Construindo o saber: metodologia científica fundamentos e técnicas” forneceu subsídios para a compreensão da necessidade de se desenvolver uma pesquisa que fosse útil ao processo de aprendizagem, desvinculando o termo pesquisa do processo coleta de dados. Conforme seus estudos: “... o termo pesquisa tem designado uma ampla variedade de atividades, desde a coleta de dados.... coleta indiscriminada de trechos de vários autores sobre um determinado tema... praticamente inútil ao processo de aprendizagem” CARVALHO (1998, P.147).

Graças ao advento da tecnologia, com o consequente uso de computadores e da internet que disponibiliza inúmeras informações disponíveis nos diversos sites de pesquisa é que a prática de recortar e colar tornou-se um pernicioso hábito, que, além estimular a apropriação de textos contribui indubitavelmente com falta de leitura para sintetizar um assunto; tornando o aprendiz cada vez mais limitado nesse sentido. (grifo nosso).

Portanto, a necessidade dos alunos desenvolverem a consciência crítica revela a pesquisa científica como recurso de crescimento intelectual: “ Mais do que a posse de técnicas, de instrumentos para manipular o real... a iniciação à pesquisa como espaço privilegiado para o crescimento intelectual do educando, deve constituir nossos objetivos.” CARVALHO (1998, P.148).

3. METODOLOGIA

A natureza do tema e as condições que cerceiam o desenvolvimento deste trabalho foram aspectos preponderantes para escolher abordagem etnográfica como método a ser aplicado, levando-se em conta que as observações foram realizadas no âmbito da sala de aula e nos encontros adicionais extraclasse. Também sugerem que os pesquisadores tenham uma aproximação com o sujeito da pesquisa para ter um resultado mais próximo da realidade, de acordo com Ludke e André (1986) ; Richardison (1999).

As professoras pesquisadoras acompanhavam cada etapa do projeto pedagógico, interferindo, para que cada uma delas pudesse ser cumprida com sucesso. Como estímulo para o bom desempenho do projeto, foram realizadas oficinas de sensibilização, com professores universitários, contratados para ministrar um mini-curso de atualização do uso de metodologia de pesquisa científica. A pesquisa foi uma das avaliações de cada unidade e cada etapa desenvolvida servia como uma avaliação do período. As professoras: Simone Teixeira (Biologia) e Sheila B. Araújo (Redação) adaptaram o objeto de pesquisa de cada aluno ao currículo da escola. Uma turma do 2º ano do ensino médio foi dividida em grupos com cinco componentes e cada disciplina contribuiu com o desenvolvimento de cada investigação científica idealizada pelos alunos. Os temas seguiram as seguintes linhas de pesquisas: investigação dos produtos químicos que podem alterar o pH da água e poluir as poças de maré; investigação das enfermidades provocadas pelos animais ou com a sua convivência; investigação dos seres vivos utilizados como alimento, adorno, artesanato, medicamento; descrição das espécies naturais e investigação dos riscos causados pelas espécies exógenas; Estas foram algumas das escolhas, dentre outras linhas que foram deixadas livres para a escolha dos alunos. Entre o início e a conclusão dos trabalhos, o planejamento foi adaptado e modificado em prol dos acontecimentos que ocorreram ao longo do ano letivo, como por exemplo: o fato de ser um ano atípico com muitos feriados devido ao processo eleitoral e à copa do mundo; o recesso entre os dois semestres que ocasionou o desestimulo de muitos alunos; outro ponto crucial foi um assalto sofrido por duas alunas nas proximidades do Colégio, entre outras situações que também favoreceram o desestímulo dos mesmos. Como ponto positivo, podemos ressaltar a visita dos cientistas da Universidade Federal e a posterior visita dos alunos ao ICS (Instituto das Ciências da Saúde) da UFBa que lhes forneceu um ânimo a mais. Em virtude da recusa dos alunos de irem fazer a pesquisa em loco, houve a substituição da visita à comunidade, pela realização de uma ação social com distribuição de cestas básicas recolhidas pelos alunos de todo o turno vespertino, oferecidas como agradecimento aos entrevistados que compareceram ao colégio para contribuir com a efetivação da pesquisa científica elaboradas pelos alunos.

4. MECANISMOS DOS RESULTADOS

Para desenvolver o projeto optou-se por dividir em quatro etapas que seriam instrumentos de avaliações correspondentes às quatros unidades do processo de ensino. A primeira fase foi realizada através de sensibilização para que os alunos se apropriassem dos objetivos e da metodologia da pesquisa, bem como pudessem ser orientados em relação à escolha do tema pertinente a cada grupo. A segunda fase deu-se com a visita de campo para observação e coleta de dados na comunidade circunvizinha, preparo e aplicação de formulário de coleta de dados de campo e análise e socialização dos resultados. A terceira fase destinou-se à elaboração das hipóteses, ao uso de critérios para elaboração das categorias, à fundamentação teórica com bases biológicas, à apresentação e avaliação dos planos de pesquisas realizados pelas equipes. À quarta e última fase coube a elaboração dos folders contendo informações sobre o tema escolhido por cada grupo, bem como a sua divulgação no site da escola; sendo todo o projeto de pesquisa elaborado dentro das normas da ABNT.

5. CONCLUSÃO


Esta pesquisa forneceu dados importantes que podem auxiliar na implantação de políticas públicas voltadas para os projetos pedagógicos e a pesquisa científica, bem como avaliar as práticas desenvolvidas a partir da aproximação do aluno com a ciência dentro do processo de ensino e da aprendizagem. Também, possibilitou avaliar as condições de produtividade dos alunos, através do acompanhamento na leitura e interpretação de textos e outras dificuldades dos alunos.

Portanto, a partir das observações e acompanhamentos dos encontros de todas as etapas do projeto, ficou muito claro que trabalhar com a pedagogia de projetos e a popularização das ciências, com ênfase na metodologia de pesquisa é possível, desde que haja algumas modificações no número de alunos envolvidos, que seja uma prática eletiva, pois observamos que alguns alunos precisam ser trabalhados de forma diferenciada para poder trabalhar com metodologia de pesquisa.

Neste ano a escola passou a adotar a metodologia de pesquisa como uma das disciplinas nas turmas do atual 3º ano do ensino médio. A partir das observações deste trabalho, surge a proposta de que a metodologia de pesquisa seja incluída no currículo escolar como recurso para que os alunos comecem a elaborar seus projetos antes de chegarem ao ensino superior, levando consigo uma experiência útil inesquecível e valiosa.

Referências bibliográficas

BRASIL, Ministério de Educação. Secretaria de Educação básica. Orientações Curriculares para o Ensino Médio: volume 2. Brasília, 2006.

CARVALHO, Maria Cecília M. Construindo o saber: metodologia científica fundamentos e técnicas. Editora Papirus. S. Paulo, 1998.

FAZENDA, Ivani C. A. Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia? 5ª edição. São Paulo: Edições Loyola, 2002.

GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisas. 4ª edição. Editora Atlas. S. Paulo, 2002.

HENNIG, G. J.; Monte, N.C.In: O ensino das ciências através da técnica dos projetos. Potro Alegre: PUC/ EMMA, 1976 (Coleção Livro Texto).

LÜDKE, M.André, Marli E.D. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

NOGUEIRA, N. R. Pedagogia dos projetos: uma jornada interdisciplinar rumo ao desenvolvimento das múltiplas inteligências – São Paulo: Érica 2001.

PERRENOUD, Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.

REIGOTA, M. O que é Educação Ambiental? 3ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. (Coleção primeiros passos, 292).

REIGOTA, M. Meio ambiente e representação social 5ª ed. – São Paulo, Cortez, 2002. –(Questões da nossa época; v.41).

RICHARDSON, R. J. ... (et al.). Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3ª edição.

São Paulo: Atlas, 1999.

VIGOTSKY, Lev semenovich. O Pensamento e Linguagem. Edição eletrônica. Editora Ridendo Castigat Mores. Disponível em: www.jahr.org . Acesso em: 18/05/07.

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